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No começo eu jurei para mim mesma que iria ignorar as partes que falavam sobre música clássica. Para minha decepção 70% do livro fala sobre isso. Os outros 30% temos 20 de ciúme e possessividade do protagonista, o Maestro (cujo nome não é revelado), e os 10% restantes denunciam a inconformidade do mesmo por não ser judeu como a sua atual mulher, Marie (cuja família é inteiramente judia e, obviamente, esperava que ela se casasse com alguém como eles). Tudo bem que eu deveria ter imaginado que o livro abordaria o meio da música clássica, já que o personagem principal é um maestro, mas tive que me limitar a passar os olhos em alguns trechos para não ler mais sobre Chopin ou Villa-Lobos e as picuinhas entre os maestros brasileiros. Também me irritava a forma como o tal Maestro se incomodava com o fato de não ser judeu e, às vezes, tinha a impressão de que ele era o único que, de fato, se importava com isso. Quanto ao ciúme e a possessividade dele com sua companheira, nem mesmo por ela ser uma caralhada de anos mais jovem que ele justifica toda a paranoia. Pior que, se fosse antes, eu até poderia me identificar com ele no quesito ciúmes e desconfiança… A diferença é que eu tinha motivos. Ele não tinha nenhum motivo plausível. Marie nunca lhe dera razões. Só o que ele tinha era a falta de amor próprio e a patologia. E o livro fica nessa dança, exatamente como numa valsa negra, entre ciúme doentio, não-judaísmo e orquestras até que o Maestro perde sua filha, que é atropelada por um ônibus. E quando eu penso que isso vai mudar alguma coisa na mente dele, para minha decepção de novo, ele só piora. Sem mulher, sem conseguir reger direito, e agora sem a filha, ao invés de se reerguer, ele resolve comprar uma arma. Pra quê? Eu não sei. Termina assim, ele no carro, depois de mandar investigar a vida da ex Marie para saber onde ela tá morando, vai pra frente da casa dela com essa arma. E fim. Não sei se ele a mata ou se se suicida. Eu também sei que não deveria esperar um final claro e definitivo, mas… Me decepcionei sim. Aguentei um monte de páginas de baboseira de um maestro resmungão, que odeia pobres e odeia não estar presente no passado da mulher que ama ou pior: que não se decide se a ama mesmo ou se a odeia por ser uma traidora, uma mentirosa; que se importa mais com o fato de não ser judeu do que com a própria filha… Para no final ficar sem saber se o imbecil meteu uma bala na própria cabeça, ou acabou com a própria vida matando a mulher que sempre gostou dele de verdade, ou os dois; na verdade, ele acabaria com a vida dele de qualquer jeito. Espero é que ele tenha voltado para o hotel, se livrado da arma, voltado a reger e voltado a fazer a terapia! Enfim.
Nota: 5/10
![Valsa negra por [Patrícia Melo]](https://m.media-amazon.com/images/I/41E8+orHrNL.jpg)
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