Não foi uma surpresa saber que a autora é uma cientista: todo o conceito da natureza ao redor do brejo com presença tão marcante na narração denota isso. Mas saber que esse é o primeiro romance escrito por ela, foi sim uma surpreendente informação. A divisão dos capítulos alternados entre passado e presente fica clara desde o início e torna interessante o enredo. A desigualdade social e o preconceito que isso acarreta; o racismo - evidenciado em uma das cenas no tribunal, onde os negros têm um lugar separado para sentarem-se -, e o machismo - marcado pela cena que descreve que as mulheres não podiam entrar para comprar alguma coisa em estabelecimentos que vendiam bebidas, onde os homens geralmente frequentavam - presentes na narrativa, nos mostram a realidade dos anos 60. O comportamento de Kya diante do abandono sofrido e dos anos que passou tendo que virar sozinha, de não desistir frente aos problemas enfrentados e buscar meios de sobreviver nos ensina sobre persistência e alerta às sequelas que ficam no emocional como consequência de anos vividos em solidão. A relação entre emoções humanas e comportamento dos animais também faz parte do estudo da autora, é muito presente na sua escrita e para mim foi um ponto marcante da leitura. Sua escrita é objetiva e o enredo flui leve e com clareza, à medida em que a estória chega no clímax. Gostei do final por ter sido esclarecedor em vários sentidos.
Nota:10/10

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